sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Os livros chegaram - impressões iniciais

A FNAC foi muito eficiente: os meus primeiros livros-para-mestrado chegaram.

Ainda não tive tempo de explorá-los como eu quero, mas já deu para ler dois capítulos do "Faça Acontecer" e me inspirar nos relatos da Sheryl.

E deu também para percorrer o índice e algumas poucas páginas do "Métodos de Pesquisa em Administração". E o pouco que vi já me fez pensar: este é um livro direcionado para alunos de graduação em Administração, bem como para os de pós-graduação. Ora, se os futuros administradores nos EUA utilizam este livro ainda na graduação, começo a entender alguns abismos existentes entre a pesquisa daqui e a de lá.

Por que digo isso? Bem, durante toda o curso de SI, ouvi que informação é o grande ativo de uma organização (ao lado das pessoas, claro), que ela é fonte de estratégia e competitividade, e que ela deve ser correta, de qualidade. Ora, então como obter informação de qualidade? Como elaborar um questionário que não seja tendencioso? Como selecionar uma amostra que não seja viciada? Em outras palavras, como obter, na prática, informação que realmente ajude na tomada de decisões? Isto eu não vi.

E é nesse caminho que o livro anda. Mal posso esperar para começar a obter algumas respostas...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Mary Del Priore: quem diria!

Nos meus estudos de história, gênero e afins, acabei encontrando uma autora que virou uma de minhas prediletas, ao lado da Clarissa Pinkola Estés: é a historiadora brasileira Mary Del Priore. Li dois títulos: "Historia do Amor no Brasil" e "História das mulheres no Brasil".

E agora, ao ler uma entrevista, descubro que ela só entrou na faculdade aos 28 anos, depois de ser mãe de três filhos!

Nunca é tarde para aprender, recomeçar ou continuar a jornada.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Livros para mestrado - Parte I

Fiz a primeira compra de livros pensando diretamente no mestrado: Métodos de Pesquisa em Administração, de Cooper e Schindler. Encontrei este título nas andanças por artigos e livros aleatórios na semana passada, e me apaixonei pelo pouco que vi dele no Google Books.

Não sei se ele é  melhor livro sobre o assunto, mas a avaliar pelo preço (um tanto salgado) e pelo índice, acho que fiz uma boa aquisição. Engraçado isso de pensar no preço para falar de qualidade, mas na área de Computação, é razoavelmente verdade - os grandes nomes das áreas sempre têm livros-texto entre R$ 100,00 e R$ 200,00 (C. J. Date em Banco de Dados, Kurose em Redes, etc).

No mesmo pacote veio um para fins de inspiração: Faça acontecer, da Sheryl Sandberg. Ela fala dos obstáculos à liderança feminina e propõe soluções para que as mulheres atinjam todo o seu potencial. Eu o descobri há alguns meses, depois de ver um artigo sobre a autora na cnn.com, e comprei o ebook, que foi embora na formatação do pc.

Agora é só esperar que a FNAC cumpra o prazo que me prometeu! =D

Usar a mente coletiva

Hoje li um texto com muitos conceitos que são novidades pra mim: Mente coletiva - 8 processos sutis para operar em rede. Num resumo beeeeeem resumido (coisa de quem trabalhou demais), a essência é utilizar a a colaboração coletiva para solução de problemas. Em vez de pensar soluções isoladamente, a idéia é compartilhar as dúvidas, anseios, obstáculos, e deixar "aberto a sugestões". Parece simples, não é?

Não, não é, e senti isso minutos após ler o texto. Coincidentemente, encontrei online um amigo de longa data, que hoje mora distante. Inspirada pelas idéias de coletivo, real interação, etc., comecei a perguntar mais dos planos, metas. E pasmem: ele está com um projeto muito semelhante o meu - quer fazer doutorado.

Assim, firmamos um "compromisso de empurrão mútuo": ele me cobra, eu cobro dele. E a gente vai compartilhando o que aprende no caminho.

O engraçado é que eu já tinha encontrado com ele várias vezes antes, mas só hoje me ocorreu de questionar, de descobrir um pouco mais.

Quantas oportunidades e conexões a gente não perde simplesmente porque não compartilha?

sábado, 12 de outubro de 2013

Ciência no Brasil: conhecendo o ambiente

Um projeto novo é sempre complicado: ficamos sem saber ao certo por onde começar, quais os riscos, qual deveria ser o escopo, quais os benefícios...Eu me sinto um pouco assim em relação a este projeto "Entrar no mestrado".

Artigos como este da Universia indicam como encontrar um tema de pesquisa, como fazer um pré-projeto, etc. Mas para mim as perguntas estão um passo atrás: o que é ciência? Qual sua importância? Qual sua aplicabilidade? Na essência: porque eu deveria gastar meu tempo fazendo ciência em vez de, sei lá, tentar virar estrela da música pop?

Acho que quem fez iniciação científica tem estas respostas mais claras, mas como expliquei aqui, este não é o meu caso. Não vou fazer mestrado porque "é o que se faz depois da graduação" - quero e preciso de motivos. Na verdade, o que estou fazendo é, como chamamos na gerência de projetos, um estudo de viabilidade: conhecendo o ambiente, analisando os prós e contras, vendo as oportunidades e riscos, etc.

E nesse "estudo", descobri questões que não conhecia. A profissionalização do cientista, por exemplo: me dei conta de que se, por um milagre do destino, eu tivesse conseguido fazer mestrado logo depois da graduação hoje eu seria uma pessoa sem FGTS, sem INSS, sem plano de saúde, sem previdência privada. Sem nada. E isto é sério: pessoas que escolhem a vida acadêmica também precisam de direitos trabalhistas e recursos financeiros tal qual aquelas que estão no mercado. Imagina uma pessoa perto dos 30 anos, com 12 anos de estudo pós-Ensino Médio, vivendo com bolsa de R$ 2.500? Isto é salário de concurso de nível médio!

Isto pode ser normal, "no Brasil é assim mesmo", "ciência não é valorizada", "ciência não dá dinheiro", mas para mim, alienígena em relação ao meio acadêmico, é simplesmente um absurdo! Esperar por um concurso de professor federal para ter um salário decente é uma perspectiva profissional demasiadamente limitada.

Outra questão foi a baixa relevância da ciência feita no Brasil, exceção feita a alguns campos como a pesquisa ligada à agricultura e neurociência, por exemplo. Por que? Li várias possíveis respostas: escolha de temas que não são "populares", "somos um país jovem", falta de cooperação internacional, preconceito em relação aos países latino-americanos e a mais óbvia - baixa qualidade das pesquisas, com pouca ou nenhuma inovação.

O que leva a outro ponto polêmico: a avaliação da produtividade de um pesquisador com base na quantidade de artigos que publica. É o caso clássico de quantidade x qualidade - inovação requer tempo e maturação - com a pressão para publicar, artigos inacabados são lançados, textos que mal dariam TCCs viram dissertações, etc.

São muitas as questões envolvidas, mas acho importante estar ciente delas para tomar decisões mais acertadas. Por exemplo: o pesquisador no Brasil também tem que ser professor, são raros aqueles que se dedicam apenas à pesquisa (pelo que li até agora, posso estar errada..rss...). Ou seja, se eu descobrir que não gosto de docência, tenho que analisar com cuidado os próximos passos.

Adquira habilidades - em 20h!

Uma das melhores coisas que fiz nos últimos dias foi assinar o feed do Papo de Homem: todos os dias recebo dicas, crônicas, resenhas, etc. Uma dose de conteúdo rico!

E lendo o feed de hoje cheguei à palestra abaixo, que trata da aquisição de habilidades. Virou uma lenda urbana a história de que são necessárias 10.000 horas para aprender algo. Eu havia lido um artigo sobre o livro Outliers (Malcom Gladwell) e sabia que na verdade, ele se referia ao tempo para se tornar expert em algo. Na verdade, a pesquisa original menciona que, em campos ultracompetitivos (como música clássica, esportes, xadrez), profissionais de renome mundial gastam 10.000 horas entre o zero absoluto e a excelência (caso clássico de telefone sem-fio aplicado à ciência. Vi hoje um quadrinho no PhD Comics sobre isso).

Ou seja, aprender algo novo não requer 10.000 horas. E de acordo com Josh Kaufman, leva apenas 20h.
O método?

  1. Desconstruir a habilidade - uma habilidade nada mais é do que uma série de "pequenas habilidades" agrupadas. Dançar música cigana, por exemplo, envolve aprender o movimento das mãos, pés, ombros, saia, pandeiro, fitas, lenço...Quanto melhor uma habilidade for decomposta, mais fácil se torna o aprendizado: fica mais fácil escolher por onde começar, onde focar, etc.
  2. Aprender o suficiente para se corrigir - é importante ter um material de referência, onde você possa aprender o básico necessário para perceber quando está fazendo algo errado. Mas nada de comprar 20 livros e só começar a praticar quando terminar de ler, ou então você estará desrespeitando o próximo passo
  3. Remover as barreiras para praticar - a maior barreira para começarmos a praticar é a emocional. Quando começamos a aprender algo é comum nos sentirmos estúpidos, e normalmente fugimos desta sensação. Além desta, é necessário obter o material necessário para começar - se o objetivo é tocar violão, é imprescindível conseguir um!
  4. Praticar pelo menos 20 horas - prática consciente, não de qualquer jeito! =) Prestando atenção aos erros, usando o material de referência quando preciso e claro, se divertindo! Depois destas 20h, você terá atingido o platô da curva de aprendizado: a partir daí os progressos se tornam mais lentos. Mas pra maioria das coisas que queremos aprender, um nível básico já é perfeitamente aceitável.
Palestra original:



Mestrado - a única opção?

Fico preocupada quando vejo o mestrado ser apontado como o único caminho para um estudante de graduação, ou como "o melhor". Não tenho certeza, preciso ler mais sobre isto, mas entendo que um estudante de mestrado deve ter um perfil acadêmico, voltado para a pesquisa (e ensino, nas atuais circunstâncias). Para aqueles que não têm este perfil e querem prosseguir nos estudos existe, por exemplo, o mestrado profissional (acho a ideia incrível!), especializações, cursos de atualização, certificações, etc.

"Obrigar" todos a terem um mestrado é como "obrigar" que todos tenham uma graduação. Poderíamos estar mais bem-servidos de profissionais se houvesse maior incentivo aos cursos técnicos. Já vi anúncios de emprego exigindo graduação em Administração quando a função envolvia tarefas como produção de relatórios, acompanhamento de folha de pagamento, etc. É necessário um curso de 4 anos para capacitar alguém para isso?

Li uma queixa de um professor há algum tempo, não lembro onde, sobre a inadequação do perfil dos mestrandos - ele falava algo sobre pessoas sem qualquer vocação para pesquisa, mas que queriam estar no curso. Não seria este o reflexo desta "exigência" um tanto descabida?

E enquanto escrevo isto, vem uma série de perguntas: "O perfil que tracei - sustentado pelos pais, sem amarras, etc - realmente corresponde ao perfil dos mestrandos?", "O mercado está realmente exigindo mestrado, ou estou extrapolando?", "Há problemas na seleção dos mestrandos?", "Como analisar o perfil de um candidato, e defini-lo como 'suficientemente acadêmico'?", "A entrada de mestrandos 'sem perfil' não poderia trazer benefícios também?"

Toda longa jornada começa com um passo

Fazer mestrado é um sonho antigo. Desde criança gosto de estudar, pesquisar, questionar. Era aquela aluna "chata" que discute com o professor porque não acha correto o que está sendo ensinado. Não era exatamente "brilhante", com insights e descobertas fascinantes: tirei notas altas no fundamental porque a escola não exigia muito além de boa memória - sou boa para decorar fatos, datas, nomes.

Já no ensino médio o desafio foi maior: fui pra um instituto federal, onde o nível de exigência era bem diferente. No primeiro ano tive a experiência de uma recuperação final em Física - eu, que mal havia tirado uma nota vermelha até então (ainda existe isso, nota vermelha??). Virei noites em claro fazendo trabalhos, debruçada sobre pilhas de livros, montei grupos de estudo, expandi os limites. Nos outros dois anos a realidade era a mesma, mas aí eu já estava acostumada.

Entre o ensino médio e a graduação, encaixei um curso técnico de Informática. De volta à estaca zero: estava numa turma que os alunos falavam de internet/intranet/extranet e eu mal sabia ligar e desligar um computador. O primeiro semestre foi particularmente difícil - lembro de ficar terrivelmente constrangida quando estava num trabalho em dupla com um "dos caras" e ele ficou impaciente com a minha lentidão pra digitar - mas fui em frente. Nos semestres seguintes, já estava programando e modelando entidades de maneira aceitável.

No começo da graduação em Sistemas de Informação, eu me senti mais tranquila - conhecia os professores, já me entendia com os algoritmos, não era um zero absoluto. O desafio veio no meio do curso, quando as circunstâncias em casa (família grande, pouco dinheiro, ser a filha mais velha) me levaram ao mercado de trabalho. Vi as notas despencarem, a qualidade dos trabalhos diminuir, as exigências aumentarem. Indo contra o conselho de um chefe, que me recomendava trancar o curso, fui até o fim, sem parar. Paguei o preço: não pude participar de projetos de pesquisa (que estavam engatinhando ainda), fazer iniciação científica (aberta quando eu já estava nos últimos períodos), escrever artigos - simplesmente não havia tempo. Largar o emprego para receber auxílio de pesquisa era impensável. Em compensação, o salário pagou meu computador, os livros, as viagens para os congressos acadêmicos.

E assim, terminei a graduação, sem a possibilidade de começar um mestrado. Como alternativa, decidi tirar um semestre de folga dos estudos para me dedicar a duas coisas: sair do sedentarismo e melhorar meu inglês. Foi o que fiz.

Terminada a folga, ainda sem possibilidades concretas de mestrado, fiz o que estava ao alcance: um curso de especialização. Eu queria algo específico da área de Computação, para ganhar experiência prática (sempre trabalhei em áreas correlatas, nunca no setor de TI mesmo) - um curso de Banco de Dados, por exemplo. Só que não havia oferta - entrei em Gerência de Projetos. Aprendi conceitos novos, conheci profissionais interessantes, mergulhei numa área com problemas bem diferentes daqueles com que eu costumava lidar.

Depois de um período conturbado na vida pessoal, em que minha realidade virou do avesso, decidi retomar os sonhos. E um deles é o mestrado.

Por que fazer mestrado?

Na minha atual situação, parece uma ideia estúpida - o plano A envolve pedir uma licença sem vencimento de 1 ano (sou funcionária pública), pagar todas as disciplinas nesse período, retornar ao trabalho e fazer a dissertação. O problema é que, além de ficar 12 meses sem qualquer salário (e nunca fiquei sem ele desde que comecei a trabalhar, aos 16), perderei a função gratificada que tenho, e meu contracheque será reduzido à metade, talvez menos.

Olhando por esse ângulo, realmente parece estupidez. Nem sonho em dizer o plano A aos conhecidos que trabalham como loucos para ganhar salario mínimo. Pareceria pretensão, arrogância ou insensatez - "Como assim?? Você é louca?? Tanta gente querendo a sua vida!!!".

Mas o que me move é simplesmente o sonho. Aquela curiosidade que me acompanha desde que botei os pés nesta terra. Aquela vontade de mudar nem que seja um pedacinho do mundo, trazer algum começo de resposta para a infinidade de questões que existem.

Claro, ver a ciência como a resposta a estes meus anseios talvez seja fruto de uma visão poética e romantizada (ou não). Se a ciência é a única resposta, ou a melhor, ou se é uma resposta, não sei (ainda). Sei que um mestrado não muda o mundo, há pencas de mestres sem contribuições significativas, incontáveis pesquisas inúteis, dinheiro público e privado desperdiçado.

Mas para mim, o relevante agora é viver a jornada de conseguir chegar ao mestrado, saboreando dia após dia. Chegar lá vai exigir coragem, disciplina, foco, persistência. Não sou uma estudante sustentada pelos pais, que vai passar 2 anos recebendo uma bolsa de auxílio. Tampouco sou uma pesquisadora iniciante brilhante, com artigo publicado em periódicos Qualis A1. Sou uma profissional, razoavelmente estabelecida (para os padrões Nordeste), afastada do meio acadêmico, que vai largar tudo para recomeçar do zero.

Meu sentimento é como o daquele megaexecutivo que larga a multinacional e vai pra Ásia ser monge. Daquele assessor legislativo que trocou seu salário de 5 dígitos para ser professor universitário. Daquela mãe que passou a trabalhar em homeoffice para estar mais perto dos filhos. Daquela senhora que decidiu aprender capoeira depois dos 50 anos. Daquele jovem que...(são tantos exemplos)

Por isso comecei este blog - para não perder nenhum detalhe importante da aventura. E para depois, poder olhar para trás e dizer se valeu a pena (ou não!..rss..)

O prazo? Pretendo me candidatar (e passar!) em setembro/2014 (deadline para as exigências acadêmicas), com aulas iniciando em março/2015 (deadline para as exigências financeiras).

Que comecem os jogos!

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Update 1: Depois de saber que normalmente há bolsas disponíveis, é altamente provável que eu fique fora por 2 anos. E aí, quem sabe, vou poder seguir o conselho de Erik para Raven: não dividir sua força - concentrá-la em um único ponto.
Para quem não viu, é do X-Men First Class: Raven (Mística) está treinando com halteres, com aparência disfarçada. Erik (Magneto) subitamente joga os halteres sobre ela, e para conseguir segurá-los, ela tem que voltar à aparência original (azul). Ficou a lição: enquanto gastasse energia para se disfarçar, não a utilizaria completamente nas batalhas. Assiste aqui, entre 0:27 e 0:50. E desconsidera a música romântica...